Vinhadinho / Fotoperformance 2021.

Breno de Sant’ana descreve seu “vinhadinho” como um animal de grande porte, mamífero, que tem as habilidades de fugir das emboscadas da sociedade opressora e detectar, ao longe, os preconceituosos. Na imagem vemos o “vinhadinho” em seu habitat. A periferia se transforma em uma espécie de floresta selvagem, onde vemos casas inacabadas, ervas daninhas e matos crescendo livremente no alto uma teia de fios. A persona presentificada pelo jovem performer mira a câmera com um olhar voraz e desafiador. Um corpo que deseja ser fotografado. Retorcido, quase mimetizando um veado, animal que por vezes é caça, mas é, também, o imponente gamo rei da floresta, o artista ressignifica a palavra pejorativa com um toque de regionalismo, “vinhadinho”. Assim, a alcunha preconceituosa é diluída, tornando-se arma de afirmação de uma identidade. A impactante fotografia e fala classificatória de Breno de Sant’ana faz o “vinhadinho” existir e resistir em uma rua de periferia e no mundo.

Texto da Curadora Mariana Maia.


Audiodescrição do trabalho


Breno de Sant’ana mora na favela Cavalo de Aço, zona oeste do Rio de Janeiro. Vive uma negligência que afeta diretamente a população em seu entorno, uma “ausência de” que os deixam à margem de tudo e de todos pela precariedade nos campos da educação e infra-estrutura. Em seu trabalho, fala sobre sentimentos e emoções que lhe afetam enquanto morador da periferia e que mesmo em tais condições, com a falta de políticas públicas, existe harmonia, apoio mútuo e trocas de afeto entre os moradores dessas áreas mais vulneráveis.