Sem título / Fotoperformance.

Salve a malandragem, os becos, as encruzilhadas, as vielas e caminhos tortos, aqueles que riscam o chão. O malandro e a malandra são a personificação do samba na sua musicalidade e dança que vão das periferias do Rio de Janeiro para o mundo por meio do carnaval. A malandragem tem identificação direta com alguns guias das religiões afro-brasileiras, como o Zé Pilintra e a Maria Navalha na umbanda, as roupas, o modo de dançar são alguns desses elementos em comum. Na fotoperformance da Companhia As de ouro vemos a pichação “De quem vc foge?” e malandros e malandras encaram a imagem por meio do corpo posicionados lado a lado como uma postura afirmativa de territorializar a rua por meio da malandragem.

Texto da Curadora Mery Horta.


Audiodescrição do trabalho


A Companhia As de Ouro, com sede em Niteroi/RJ, atua em defesa dos povos das religiões de matrizes africanas. Os malandros e as malandras são, para a Umbanda e religiões de matrizes africanas homens e mulheres de ‘boa pinta’ que não fogem à luta; são batalhadores (as) e justiceiros (as). A boa malandragem é oriunda da força, da alegria e do amor de malandros e malandras pelos seus parceiros e suas parceiras de luta no dia a dia e almejam o progresso comum e o desenvolvimento de laços verdadeiros de amizade. As nossas cores, roupas e passos de dança, com olhares, gestos e movimentos corporais são formas de conexão com a ancestralidade e sinônimos da alegria do povo brasileiro que supera desafios e faz tudo dar certo. A malandragem balança, mas resiste, assim como o povo negro, favelado e periférico do nosso país.