Onjila / Fotoperformance.

De um terreiro na comunidade Fazenda Botafogo, em Acari, Dai Ramos ressoa Onjila. Fotoperformance onde a artista interage com símbolos de uma estética espiritual negra contemporânea. Ervas, tecido, pote, gestos, cabaça, levam à percepção de uma sabedoria ancestral. Oduduwa, divindade feminina ioruba, é a parte de baixo da cabaça da existência, de onde fluiu a vida. Onjila do Umbundo significa caminho. Sustentando na face uma cabaça, Dai Ramos aponta vívidas direções. Nossa herança africana. Uma filosofia a toques de atabaque. Afro futuros. O poder das mulheres negras. A trajetória da própria artista por conhecimento. Onjila mostra que nossos passos são cíclicos. A artista performa, no terreiro da família, reflexões sobre nossos antepassados. Onjila também significa pássaro. Com Dai Ramos alçamos voo ao encontro de verdades atemporais outrora negadas.

Texto da Curadora Mariana Maia.

Audiodescrição do trabalho

Dai Ramos dedica-se à criação de performances e trilhas sonoras em projetos audiovisuais, musicais e teatrais desde 2015. Formada em Comunicação Social pela PUC-RJ, é mestre em Cultura e Territorialidades pelo PPCULT-UFF e foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2019 (categoria Música) com a direção musical do espetáculo de teatro “Os desertos de Laíde” (2019) de Rona Neves.