Marimba / Fotoperformance 2020.

Uma pipa rasgada caída no asfalto. Um par de pernas e a sombra de um braço ao chão a tentar alcançar o objeto voador: essa é a primeira imagem da série Marimba do coletivo Lírio em Rascunhos fundado pela performer Lírio Valente e pelo poeta Alan Salgueiro. A segunda imagem da série mostra rabiolas ao vento e o artista empinando a mesma pipa com a mão direita, como que fugindo da câmera ou, discretamente, cantando para ela: vitória!
Soltar pipa é uma das atividades mais populares das periferias. Na Baixada Fluminense, então, é a lei das tardes de sol. A falta de arranha-céus é condição importante para se ver a constelação de pipas no ar. E se a pipa “avoa”, se ela se solta ou é cortada por uma linha com cerol, é correria certa para sua busca e resgate. Resgatar uma pipa é signo de vitória, mesmo que ela se rasgue. E uma das utilidades das marimbas – uma pequena e poderosa pedra amarrada numa linha que alcança distâncias ao ser lançada – é o resgate de pipas “avoadas” que poderão ser refeitas e postas de novo ao vento: liberdade!

Texto da Curadora Luana Aguiar.


Audiodescrição do trabalho


Lírio em Rascunhos, é grupo de artes fundado em 2020 pela performer Lírio Valente e o poeta Alan Salgueiro (Rascunhos de Revolução), durante o contexto de quarentena. Possui um trabalho continuado de pesquisa, o qual constrói uma linguagem performativa no hibridismo de música, poesia e artes visuais no contexto virtual.