O 1º Festival Margem Visual Performance periférica na rede é pensado e realizado por 5 mulheres artistas e pesquisadoras em artes visuais com enfoque em performance, oriundas de regiões periféricas da cidade e do Estado do Rio de Janeiro, que juntas formam o Mó Coletivo. São elas: Carolina Rodrigues,  historiadora da arte e curadora de Bangu; Laís Castro, performer e arte educadora de Campo Grande; Luana Aguiar, artista visual e performer nascida em São João de Meriti, Mariana Maia, artista visual, performer, arte-educadora de Santa Cruz, Mery Horta, artista visual, performer de Bangu/Pedra de Guaratiba. 

O  Mó  Coletivo e o 1º Festival Margem Visual Performance periférica na rede  foram idealizados a partir do encontro dessas cinco mulheres que trazem a perspectiva de estar à margem, distante das regiões centrais e, muitas vezes, do acesso à diferentes bens culturais e sociais. Passar horas à fio dentro de um trem lotado para chegar ao trabalho, pegar diferentes transportes para ter acesso a um dispositivo cultural, são algumas das questões que fazem a pessoa oriunda da periferia ter um olhar diferenciado sobre as coisas do mundo, pois sua relação com o tempo e com a oferta de serviços é precária e diferenciada. 

Adicionamos a esse fator a camada de ser mulher e periférica, o que nutre a visão deste coletivo de outras subjetividades que vêm com as vivências e experiências desse grupo social. Os números das diversas análises sociais mostram que as mulheres, apesar de serem mais numerosas no Brasil, possuem menos oportunidades de emprego do que os homens, assim como recebem salários inferiores. Em uma gangorra de estatística, as mulheres sofrem mais violência doméstica, sofrem mais com os estupros, assédios cotidianos, de modo que são tantas as deficiências sociais impostas à mulher que desenvolvem-se outras maneiras de ver o mundo. Trazemos essa perspectiva feminina e periférica como um outro olhar sobre a arte da performance em uma possibilidade de decolonizar o pensamento que gira em torno das regiões centrais tanto da cidade quanto do Estado do Rio de Janeiro e, da mesma forma, empoderar o lugar da curadoria e produção dos festivais de artes visuais, trazendo artistas e seus trabalhos de performance oriundos de locais periféricos da cidade e do Estado do Rio de Janeiro ou que abordem este tema, promovendo visibilidade e ampliando a voz dos que cotidianamente são postos à margem.

O Mó Coletivo

O Mó Coletivo foi fundado no ano de 2019 pelas artistas/pesquisadoras Laís Castro, Luana Aguiar e Mery Horta. Impulsionadas por criarem um espaço de discussão, reflexão e experimentação sobre arte e periferia. Para os encontros do Mó no Ateliê Citrus (localizado no bairro de Campo Grande – Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro), as artistas se deslocavam de trem, meio de transporte que perpassa a vida das mesmas, já que todas são de origem periférica e utilizaram/utilizam o trem para realizarem diversas atividades desde estudo, trabalho e lazer. O estar no trem já se evidenciava como o início do laboratório de criação das artistas (inclusive Laís e Mery já traziam esse tema anteriormente em suas pesquisas).

No mesmo ano Luana Aguiar realizou a curadoria do PULSO, mostra de performance dentro da exposição PLURAL na Galeria Aymoré, onde convidou Laís e Mery para apresentarem seus trabalhos (primeira atuação do Mó Coletivo).

Em dezembro de 2019 o Mó Coletivo firmou parceria com a Tipografia 219 na exposição Mapas para cruzar fronteiras com uma porção itinerante do evento com curadoria de Laís Castro e Mery Horta. Onde diversos artistas realizaram performances e intervenções entre a Tipografia (Centro do Rio) passando pela Central do Brasil, pegando o trem até a estação de Benjamin do Monte e continuando o percurso à pé até o Citrus Ateliê. O evento contou com a participação de trabalhos dos artistas Ronald Duarte, Lia Imanish, Leonardo Lopes, Mery Horta, Laura Samy, banda Pretos Novos de Santa Rita entre outros.

No ano de 2020 a historiadora da arte e curadora Carolina Rodrigues e a artista Mariana Maia, ambas periféricas, se uniram ao Mó e passaram a integrar ativamente nossa equipe. Desde então, dado o panorama da pandemia de Covid-19, mantivemos encontros virtuais para leitura de textos sobre decolonialidade, ancestralidade afro-indígena e discussão sobre vivências e saberes femininos-periféricos e performáticos.

Desejando expandir a reflexão sobre saberes e vivências periféricas, dar visibilidade à artistas que compartilham dessas questões e estabelecer a presença no circuito de arte do Rio de Janeiro, criamos o Festival Margem Visual – Performance periférica na rede.